terça-feira, 20 de novembro de 2007

O desconhecimento da linguagem

Dos perigos que ameaçam o programador, nenhum é tão sutil quanto a ignorância a respeito do seu meio de expressão: a linguagem. Claro que não estou falando do bom e velho Português, e sim dos cê-xarp, do vebê, javas da vida.

É uma tarefa inglória ter que programar em outra linguagem que não seja aquela com a qual você tanto se acostumou e se afeiçoou. É quase como acordar em outro país e ter que se virar para não morrer de fome no meio de outra língua, outra cultura, outros costumes. Claro que nenhuma nação vai ser igual à sua. Se são mais "desenvolvidas", ficam te olhando feio, esperando você cometer algum errinho para te discriminar. Se são mais "atrasadas", você se sente indigno de ter que colocar suas patinhas na lama pra trabalhar. (Imagine se o PHP fosse um país, por exemplo.)

Você sabe que é mais fácil xingar meio mundo do que tentar aprender alguma coisa, pois na verdade o que você mais quer é acabar logo o serviço e esquecer aquela sintaxe maldita o mais rápido possível. Afinal, não existe denominador comum entre as linguagens*. O significado de um "if" pode variar enormemente entre uma e outra. Loops? Operadores? Cada uma tem os seus, não adianta misturar, e é perda de tempo aprender tudo.

E se você vai ter que abandonar por um tempo seu super IDE modelo 2008 para fazer uma rotininha em JavaScript, você pode despejar sua raiva e criar o pior script possível, desde que funcione conforme a especificação, e ainda justificar tudo dizendo que não conhece essa linguagem e precisava fazer a coisa rápido. Ninguém vai poder falar nada. JavaScript é pra condenado, ninguém vai te culpar por não saber programar em uma linguagem assim.


*Exceto strings. Strings são o aminoácido do desenvolvimento de sistemas.

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